Retrato do Brasil

Retrato do Brasil

 

O caos que domina a vida cotidiana, há dias, no Espírito Santo é um retrato vivo do que tende a ocorrer no País daqui para a frente cada vez com maior frequência: policiais militares, voluntariamente aquartelados, deixam as ruas sem policiamento, enquanto a violência explode. Há tiroteios, dezenas de mortos em todo o Estado e grassa a insegurança. Fatos como esse se multiplicarão? É uma atitude, por parte da Polícia Militar, de flagrante desrespeito à Constituição. Mas, é igualmente, testemunho de dois graves problemas do Estado brasileiro: primeiro, a incapacidade de antecipação na solução dos problemas. A melhoria salarial tinha sido tema de prolongada greve da PM na Bahia no final do governo Jacques Wagner, que serviu para revelar, ao final, plano grevista das polícias militares no Rio de Janeiro e em diversos outros Estados. De lá para cá, o que foi feito para criar uma polícia democrática? Nada. O segundo problema é a distância dos governos da população. No caso específico do ES, o governo precisaria ousar e agir em defesa do cidadão. Demonstrar autoridade e colocar a PM para cumprir sua missão constitucional. Em paralelo, não pode ignorar a pletora de problemas que envolve a carreira de policial militar. É preciso evitar que acontecimentos como os do Espírito Santo se repitam. Se provocam reação em cadeia teremos uma crise de proporções. O Brasil está explodindo porque atravessa mais do que uma violenta crise econômica. Criou um ambiente hostil onde contracenam crises de modelo, culturais, de corrupção e, sobretudo, provocada pela ilusão de que aqui é diferente, inclusive porque os problemas se resolvem por geração espontânea. Triste engano! É preciso que as autoridades criem o saudável hábito de se anteciparem na solução de problemas. Vitória, Vila Velha, municípios da região da Serra, entre muitos outros, tiveram suas rotinas viradas de ponta a cabeça. O comércio fechou, os bancos também; os ônibus não circulam, escolas suspenderam as aulas, o cidadão é refém do medo e do temor da morte. Creio também ser necessário analisar o papel da imprensa nesses episódios, chamar a aten- ção para o tipo de cobertura que estamos vendo e que tem sido extremamente pontual e factual, sem oferecer uma visão abrangente. Uma visão de como isso poderá chegar na vida das pessoas em qualquer lugar do País, diante de possíveis desdobramentos em curso. É muito grave o que estamos vendo, só que não estamos conseguindo nos dar conta de que poderá chegar em nós, em qualquer lugar do Brasil. É possível viver assim? O Estado precisa zelar pela vida do cidadão. Não só no Espírito Santo, mas em todo o País. Avisos de que se caminha sobre barris de pólvora é o que não faltam. Muitos barris têm explodido. Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul… para citar exemplos recentes e emblemáticos. O que as chamadas elites dirigentes esperam que aconteça mais? Que os barris explodam de uma só vez? Ai, será tarde demais… É preciso se antecipar e agir. Para sair da crise Por Francisco Viana* (viana.9000@uol.com.br) R

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