Opções para a crise

Opções para a crise

Claro, existem, mas é preciso ousar.  É só se debruçar sobre o tabuleiro que se pode constatar as várias linhas de alternativas estratégicas. Novas eleições? Um governo de coalisão nacional? Mais investimentos por parte do Estado, em infra-estrutura sobretudo? O que não podemos é ficar de braços cruzados enquanto o desânimo e a desesperança minam o que um país pode ter de mais valioso, o ânimo para agir, a esperança de que a vida pode ser construtiva e o progresso econômico e cultural possível.

Uma boa alternativa, no momento, é deixar de lado os preconceitos, por exemplo, contra a esquerda. A esquerda é filha do capitalismo e surgiu quando se dá a ruptura entre burgueses e operários por volta de 1840. Até então, desde a Revolução burguesa de 1789, as duas classes caminharam lado a lado e se houve antagonismo foi porque as promessas feitas pela burguesia não se confirmaram.

O que seduziu, e deu força, ao pensamento de Karl Marx foi a sua porção humanista que deriva do iluminismo do século XVIII. Esse humanismo foi o farol que guiou as várias correntes da Revolução Francesa e, paradoxalmente, nunca atraiu os conservadores brasileiros. Eles viraram as costas para o humanismo e apostaram na exclusão. Deu no que deu. Criamos um dos países socialmente mais perversos do planeta. E isso hoje afeta tudo mundo: violência, corrupção e uma história sanguinária que ainda vive nas sombras demonstram o que a barbárie custa a todos, sem exceção.

Onde se encontra a porta de saída? De imediato, fazer reformas. Mas, em caráter de urgência, é preciso criar empregos. Sem emprego e sem renda, o cidadão é um individuo socialmente morto. Pois o cidadão é um membro normal e cooperativo da sociedade.  Se não houver cooperação, não há produção e, sem essa, não há distribuição. O que pode fazer um prefeito onde esse ciclo virtuoso parou por força do desemprego? Tenha ou não lido Maquiavel, ele sabe que não pode abandonar o cidadão. Significa, portanto, que não pode fechar os olhos à criação e manutenção dos empregos.

Hoje, essa é necessariamente a primeira responsabilidade republicana. Os prefeitos foram eleitos não para gerirem uma massa falida, mas para liderar a saída da crise. Podem ser conservadores ou progressistas, de direita, centro ou esquerda, têm que olhar para crise e encontrar soluções. Gerir crises é isso: apresentar saídas, ter em mãos o fio de Ariadne para sair do labirinto.

É precise ter consciência de que não adianta medidas paliativas como os mutirões, adotar praças, criar acessos on line aos serviços públicos, e assim sucessivamente, mas, sim, mudar estruturas de impostos, de burocracia e de exercício do poder.

De que adianta, a título de ilustração, dizer que as prefeituras do Estado do Rio estão falidas. Os problemas são conhecidos – crise do setor petrolífero por causa do escândalo de corrupção da Petrobras e da queda de preços do barril do petróleo com consequente queda na arrecadação de royalties pelo Estado, diminuição da arrecadação do ICMS, etc… -, mas  a realidade exige soluções e as pessoas precisam comer todos os dias, receber seus salários, pagar suas contas.

O que fazer? Essa é a questão que exige resposta. Não só no Rio de Janeiro, mas em todo o pais. E não basta apenas prender governantes corruptos. É preciso ir além. Expropriar os bens resultantes da corrupção, converte-los em investimentos públicos. O cidadão é um ser politico. O país humanista precisa ter o homem como um fim em si. E isso é uma bandeira tanto da esquerda – sempre excluída do diálogo pela força-  como do capitalismo, na sua face iluminista. O que foi Getúlio Vargas senão o rosto do capitalismo iluminista? O que foi o presidente Lula? O que ganha o Brasil e sua gente com tamanha intransigência para com o progresso social?

Não ganha nada. Apenas a intransigência reflete o atavismo , o medo e a estagnação. É preciso combater o atavismo, rompem os véus da ignorância e colocar a comunicação a serviço do Brasil do presente. E isso vai acontecer mais  cedo ou mais tarde. É preferível, sim, que aconteça por meio das reformas, adiadas desde os idos do governo João Goulart, postergadas desde a gestão Lula-Dilma, mas sempre presentes por imposição da realidade.

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