Cavalaria, avançar! Degolar!

Cavalaria, avançar! Degolar!

 

Registra a história que a batalha de Pirajá estava perdida. Mais numerosos, melhor treinados e melhor equipados, os portugueses eram os senhores da vitória e, então, veio a ordem: tocar recuar, debandar. Ocorreu o inesperado: o corneteiro Lopes, inverteu a ordem e tocou avançar, degolar. A batalha foi ganha e todos os anos os baianos celebram a Independência da Bahia com um grande desfile cívico. Hoje, o toque do corneteiro ganha sentido metafórico: se houver confiança, se houver autoestima, podemos sair da crise. Por que não? John Rawls, o grande filósofo americano do Direito, diz, não por acaso, que confiança e autoestima são os bens primários mais fundamentais e que, uma vez existindo, são a base para o autorrespeito e a dignidade.

No Brasil dos dias atuais, o sentimento de autoestima pode ser transmitido pelos novos prefeitos e pelos empresários, por exemplo, se investirem, criarem empregos e fizerem circular a renda. Diante das adversidades, não se pode recuar, mas avançar. Pensar diferente, não reagir à crise com mais desemprego, mas incentivando o mínimo existencial como ponto de partida, é indispensável. O mínimo existencial é a garantia para o exercício da liberdade, da democracia, para a garantia da dignidade do brasileiro. Daí a importância dos prefeitos lideraram a retomada, fazendo dos municípios o centro de gravidade dos investimentos e de irradiação da necessária motivação. Liberdade e oportunidades constituem o bem, o mínimo social indispensável para que os cidadãos possam sentir que viver não é apenas sobreviver e que um povo precisa produzir para ter confiança em si. Cabe aos empresários trabalharem junto com o poder público e transmitirem confiança.

Cavalaria, avançar! Degolar!