A imagem como representação da vida

A imagem como representação da vida

 

Francisco Viana *

La naissance du pouvoir politique, que paraît être en relation avec les dernières grandes révolutions de la technique, comme la fonte du fer, au seuil d’une période que ne connaîtra plus de bouleversement en profondeur jusqu’à l’apparition de l’industrie, est aussi le moment qui commence à dissoudre les liens de la consanguinité. Dès lors la succession des générations sort de la sphère du pur cycle naturel pour devenir événement orienté, succession de pouvoirs.

 

La Société du Spectacle[1]

 

Le temps pseudo-cyclique consommable est le temps spectaculaire, à la fois comme temps de la consommation des images, au sens restreint, et comme image de la consommation du temps, dans toute son extension.

 

La Société du Spectacle[2]

 

Como não se interrogar sobre as razões do surgimento da sociedade do espetáculo? Com o passar do tempo, como uma erva daninha, o espetáculo espalhou-se por toda a tessitura social e tornou-se, mais do que um gênero, a própria razão de existir da sociedade capitalista. Para Guy Debord, o espetáculo é acima de tudo a mercadoria, mas não apenas a mercadoria pela “imensa acumulação de mercadorias”, na definição de Marx,[3] mas pela acumulação de imagens que superpõem e dominam a vida cotidiana.[4] Na essência, o que a sociedade rouba do homem é o tempo, que é desvalorizado e transformado numa forma contemporânea de mais-valia. Onde no passado predominou a realidade do tempo, agora predomina a publicidade do tempo, uma fusão do tempo da história com o tempo espetacular.[5] Um retorno, de forma falsa, ao antigo tempo mítico. Um agir mediático que é uma forma de agir e dominar, de alienar, fazer da imagem-mercadoria uma forma eterna e inevitável de reproduzir a economia como se esta fosse a única alternativa para a vida humana, como se fosse uma segunda existência da natureza para  recuperar a crítica de Marx ao utilitarismo intrínseco ao capitalismo.

De maneira lapidar, Debord escreve:

No âmbito do tempo-mercadoria, o homem não é nada. O que é negociável é a produção-mercadoria. Não o tempo. Há uma aversão ao tempo como campo de desenvolvimento humano. O tempo na sociedade capitalista-burguesa é desvalorizado. O tempo do não desenvolvimento humano está camuflado sob o véu do tempo consumível – tempo pseudocíclico. É o tempo da sobrevida da economia moderna, o tempo desenvolvido no interior do trabalho alienado. O tempo consumido dia e noite pelo trabalho, mas camuflado no repouso semanal, no período de férias. (DEBORD, 2006, p. 147-50).

Há nessa reflexão um amplo retorno a Marx. Nos Manuscritos Econômico-Filosóficos, Marx resume: a essência humana não é metafísica, mas socioeconômica. Essa é a base real da existência, não a essência ilusória da individualidade, pois o indivíduo, por natureza, é mortal.[6] Sob esse enfoque, homem-produção-mercadoria, a inspiração marxiana é recorrente. Pode ser encontrada, em síntese ou de forma profunda, em A Ideologia Alemã, na qual Marx volta a afirmar que as formações ideológicas se cristalizam sobre a prática material.[7] Ou, quando advoga a necessidade de eliminar o dinheiro como mediador da vida: “O dinheiro é o alcoviteiro entre a necessidade e o objeto, entre a vida e o meio de vida do homem. Mas o que medeia a minha vida para mim, media-me também a existência de outro homem. Isto é para mim o outro homem”.[8] E, com maior ou menor intensidade, no conjunto da obra de Marx, com expressão específica em O Capital. O dinheiro é sinônimo de necessidade, no entender de Marx. Construir um novo homem é romper com o estado de necessidade ditado pelo antagonismo entre capital e o trabalho. É, igualmente, propor uma transformação da sociedade do ponto de vista humano. Seria esse o papel da filosofia que transpira do pensamento de Debord?

Vamos voltar ao autor e ao fetichismo da acumulação originária, com a organização da sociedade estática, segundo a experiência imediata da natureza.[9]

 

Tempo e história

Debord publicou A Sociedade do Espetáculo em 1967, às vésperas do movimento de Maio de 1968, que incendiou a França e o mundo. É o livro mais importante da sua extensa obra e fez de Debord um analista da sociedade atual comparável a Freud e seu trabalho sobre o inconsciente.[10] Assinala uma perspectiva radical de mudança de plano. A questão básica é exatamente o que Marx não viveu: a era da imagem que começa a se adensar exatamente nos anos de 1960. Marx escreveu, em particular o Manifesto Comunista, utilizando uma linguagem de folhetim que, no seu tempo, era de entendimento popular tão fácil como são hoje as novelas.

Na visão de Debord, por outro lado, a imagem é a mercadoria das mercadorias justamente porque fundamenta um sistema contemporâneo de consumo do homem e do seu tempo, fazendo com que a produção e o consumo girem em torno de um tempo imóvel. Reproduz-se em conteúdo, mudando apenas as formas ditadas pelos avanços tecnológicos, mas na realidade não é dialético. Não cria o novo, sem que aqueles que trabalham se tornem, de fato, executores da história. Como Marx e a produção capitalista, a sociedade do espetáculo, para Debord, era global, e a sua matriz permanente estava moldada na não consciência da história.

Merecem destaque suas formulações gerais. A noção de tempo histórico só é aplicada quando existe consciência histórica. A organização mítica dos valores, as primeiras descobertas da linguagem como forma de poder e a ausência de mudanças sociais de proporções pertencem ao tempo cíclico. Foi o tempo da sociedade regida pelos povos nômades e pela agricultura, com o trabalho determinado pelas crenças e pelas estações do ano.

Não existe conteúdo determinado pela consciência, mas pelas relações das forças produtivas. O conteúdo da consciência é determinado pela objetividade do universo exterior ao ser. Por isso, a consciência, que Debord e Marx inscrevem no âmbito do materialismo dialético, ganhará nova dimensão do tempo com a ascensão da Igreja e o surgimento do tempo irreversível. Em outras palavras, o tempo dedicado ao reino de Deus, por sua vez, com a ascensão da burguesia e a emergência do proletariado, trará nova objetividade à produção da história. Em resumo, o proletariado e a produção irão se tornar o novo sujeito do tempo e fazer com que a consciência se torne uma questão de classe, que a história encontre um novo ponto de partida.

A mensagem-chave de Debord é: o controle da linguagem começa, exatamente, nas sociedades agrícolas arcaicas. É a fonte da dominação. Primeiro com o controle do acesso ao mito e aos deuses, depois com o controle que foi exercido pela igreja e, posteriormente, pelo controle do tempo-mercadoria pela da idade burguesa. A linguagem é a fonte de alienação e de formação da consciência revolucionária. Com a organização do trabalho pela sociedade burguesa, supera-se o tempo histórico imóvel; passa a predominar a ordem histórica dinâmica e, com ela, o conceito de revolução. Diz Marx, referindo-se à “comunidade dos proletários revolucionários”: os homens controlam as suas condições de existência, os indivíduos se associam partindo do desenvolvimento das forças de produção, desaparece a ilusão de que sob o regime burguês o indivíduo é “mais livre”.

Na sociedade dos proletários associados – a sociedade comunista –, o Estado desaparece e, com ele, desaparecem as classes e o estado de necessidade, produto da sociedade burguesa.[11] Para Debord, como para Marx, não há como separar a história social da história do poder e, consequentemente, do lugar de classes, fenômeno que se repete do antigo Egito à China e passa pela democracia dos senhores da Grécia. Na Idade Média, as revoltas camponesas, de inspiração milenarista, se propunham a destruir o poder da igreja e trazer o paraíso dos céus para a terra. Há, como conceitua Marx em A Ideologia Alemã, uma dessacralização do Estado, e a reação, que cresceria em ondas sucessivas até a Revolução Bolchevique de 1917, contra o aprofundamento do tempo histórico pela burguesa.[12] A perspectiva dialética é que a história passe a ser feita pelo proletariado, não mais pela oposição burguesia e aristocracia. A ação da classe operária arranca a história da sua letárgica continuidade que se faz presente no tempo cíclico e no tempo irreversível de servir a Deus. E que a burguesia, ao se afirmar como classe, pretendia impor ao tempo da mercadoria uma nova versão da história, desenvolvida a partir da concepção de falsos homens livres. Estava preparado o terreno para o tempo espetacular, o tempo em que o capital se projetaria por todas as esferas da vida. Ou o tempo pseudocíclico.

 

O tempo espetacular

Um bom resumo do tempo espetacular é o seguinte aforismo de Debord, tendo como pano de fundo o fato de a televisão, nos Estados Unidos, já na época da publicação de A Sociedade do Espetáculo, consumir entre três e seis horas do cotidiano da população: “A realidade do tempo foi substituída pela publicidade do tempo”.[13] Quer dizer: a característica dominante é a representação da vida e não mais a vida real. Eis porque a imagem transformou o mundo capitalista da mercadoria no mundo da ilusão. O conceito de mundo pseudocíclico significa o retorno ao domínio da linguagem, com a diferença de que os mitos e a representação da vida se transformaram em objeto da técnica de fabricação em massa de imagens.

Resumindo:

  • Primeiro: O tempo do não desenvolvimento humano ou tempo consumível –pseudônimo cíclico – é o tempo regido pela produção. Nele o homem não tem valor, mas, sim, a produção. As suas características: homogeneização, supressão da dimensão qualitativa, momentos falsamente individualizados. O tempo pseudocíclico é, ele próprio, um tempo transformado pela indústria e consumível; o tempo espetacular habita o tempo pseudocíclico.[14] É um desdobramento do tempo pseudocíclico. Deriva dos serviços e do lazer, da modernização das vendas, do pagamento a crédito, do consumo cultural, dos deslocamentos coletivos nas férias. Nele, nada é natural, tudo é mercadoria, inclusive a socialização, as festas, o luxo, a realização individual (149-152).[15]
  • Segundo: O tempo espetacular é uma representação da vida. Manifesta-se no consumo de imagens, meio de expressão de todas as mercadorias, no lazer e nas férias. Essas duas últimas também são imagens sociais do consumo. O que predomina é o trabalho morto, não o trabalho vivo. O passado domina o presente. Predomina a alienação e não a relação dialética entre os homens e o trabalho vivo. O ritmo pseudocíclico carece de linguagem conceitual, crítica, abole o passado. É vivido individualmente na vida cotidiana, separado do passado. É esquecido em benefício da falsa memória espetacular, do não memorável. Em lugar do tempo histórico, o tempo espetacular torna-se o organizador da sociedade. Seu alicerce central é a falsa consciência do tempo.
  • Terceiro: O dado novo na sociedade do tempo espetacular são as imagens. Elas são onipresentes. O homem mediatizado é o homem a serviço da mercadoria. O papel de sujeito desloca-se do ser para as mercadorias. Transforma sua liberdade em mito. Por força da divinação das imagens, o visível, o real e o verdadeiro tornam-se prisioneiros do mercado, do poder de compra. A falsificação torna-se a rotina, a dialética, aqui entendida como a capacidade humana de raciocinar, de organizar-se, de reagir, ganha traços de uma fantasia, uma ficção. É uma válvula de escape mental que, por meio da imagem projetada, cria uma lógica totalizante, sem mediações.

Nas sociedades antigas, o consumo do tempo cíclico dava-se de acordo com o trabalho real. Nas sociedades modernas, a economia se desenvolve em consonância com o tempo abstrato da produção. Enquanto o tempo cíclico foi “o tempo da ilusão imóvel”, o tempo pseudocíclico é o tempo vivido ilusoriamente. A realidade durável está associada a um duplo capital: o capital financeiro e o capital juventude, este último mediocremente empregado. Em termos sociais, há uma ausência da morte que equivale à ausência da vida.

  • Quarto: No tempo espetacular, a vida torna-se acessória. “Para devolver aos trabalhadores o status de produtor e consumidor ‘livres’ do tempo-mercadoria, a condição necessária é a expropriação violenta do seu tempo. O retorno espetacular do tempo não é possível sem esta primeira disposição dos produtores”.[16]

O grande estilo da época, o culto às imagens-mercadorias, é um estilo que se anula pelas contradições e se recompõe pela inércia não dialética da sociedade. Articulados, contradições e recomposições tornam necessária a revolução.[17] Esse é o projeto da humanização do tempo. O projeto da sociedade sem classes. É o projeto da afirmação do tempo lúdico em lugar do tempo da produção que serve a indivíduos e grupos.[18] Como enfatiza Debord: “O mundo já possui o sonho de um tempo em que possua a consciência para viver realmente”.[19]

 

Considerações finais

Debord, como Marx, foi essencialmente um humanista. Um humanista real que quer transformar a alienação invisível na realidade da emancipação visível. Se Marx, no Manifesto Comunista, trata dialeticamente da burguesia como responsável pelo seu próprio desaparecimento, em consequência das contradições do sistema capitalista, Debord retoma e atualiza o tema sob a ótica das agudas contradições da sociedade de imagens que acondiciona a dominação na forma de linguagem, reeditando a anacrônica sociedade do tempo cíclico. Nesse processo, tudo se torna ilusão, a começar pelo dinheiro que Marx definiu como a inversão completa da individualidade, capaz de transformar “a fidelidade em infidelidade, o amor em ódio, o ódio em amor, a virtude em vício, o vício em virtude, o servo em senhor, o senhor em servo, a estupidez em entendimento, o entendimento em estupidez”.[20]

No longa-metragem A Sociedade do Espetáculo, produzido em 1973 e inspirado no livro homônimo, Debord observa: “O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não vivente”. Ou ainda: “O espetáculo apresenta-se, a um só tempo, como a sociedade, como parte da sociedade e como instrumento de unificação. Como parte da sociedade, é a manifestação que concentra todo o olhar e toda a consciência.”.[21]

É uma questão de uma prática massiva, a produção de imagens em crescentes escalas. No fundo, é uma questão de linguagem. Se a téchne grega definia a habilidade de dominar uma arte, fosse ela a arte da palavra ou a de construir um artefato agrícola, a medicina ou a transformação dos metais, o teatro ou a poesia, na sociedade do tempo da pseudocíclica a téchne preponderante é a imagem, mas não a imagem pela imagem e sim a imagem antes da ideia, a imagem mediatizada em tempo real. Se antes, nos idos de Marx, o dinheiro era a encarnação de todas as mercadorias, hoje a imagem é que ocupa o lugar do dinheiro.

É a sua fonte maior de geração e reprodução; de um lado, o lado da produção, de alienação e fantasia, de outro lado, o lado da sociedade. Onde se encontra o ponto de ruptura, o ponto, para citar Marx mais uma vez, agora em A Ideologia Alemã, em que a vida determinará a consciência? Debord, da mesma forma que Marx, traz à cena política a questão da revolução. Mas qual o caminho da revolução? O que pensaria Debord hoje?[22] Em 1971, ele escreveu que a poluição tornara o “planeta doente” e que restaurar a saúde do meio ambiente era tão importante quanto a revolução. E, em 1992, quando foi publicada a terceira edição francesa de A Sociedade do Espetáculo, argumentava: “A raiz do espetáculo pertence ao terreno da economia que se tornou abundante; é da economia que virão os frutos que, finalmente, dominarão o mercado espetacular.”[23] O nó a desatar estaria na economia política? No salto dialético da classe trabalhadora ao perceber, pelo confronto prático, a expropriação do seu tempo de vida pelo capitalismo? A quebra da passividade pela sociedade, justamente o que pregava Debord em 1968?

Enfim, são questões em aberto, questões que ganham dimensões de verdadeiro desafio para a filosofia e retornam, com maior ou menor intensidade, nos atuais tempos de crise internacional, mas que ainda estão distantes, muito distantes, de penetrar na amplitude da sociedade. Seria possível conquistar a efetiva democracia sem que a liberdade ande em par com a igualdade? Seria possível concretizar a filosofia de emancipação do homem sem que a sociedade abandone a expropriação do tempo em função da produção de mercadorias? Dentro dessa perspectiva, como unir o tempo da história com o tempo da ação política?

É verdade que o fetichismo da mercadoria é tema ascendente de debates, mas a sociedade da acumulação de imagens, a sociedade em que a imagem é a mercadoria dominante, como assinala Guy Debord, ainda está distante de ser vista e transformada nas suas múltiplas dimensões. O que prevalece, pelo menos nos dias atuais, é a perpetuação da repetição, com a unificação de procedimentos, modos de vida e, sobretudo, da não utilização do tempo para construção da sociedade do futuro, a sociedade do dever ser. É uma sublimação dos instintos e da vontade humana que certamente podem persistir, mas que não irão se eternizar.

 

Bibliografia

 

DEBORD, Guy. La Société du Spectacle. In: ______. Oeuvres. Paris: Gallimard, 2006.

MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos de 1984. Tradução Jesus Ranieri. São Paulo: Boitempo, 2004.

______. O capital. Tradução Reginaldo Sant’Anna. 25. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

______. Manifesto comunista. Tradução Álvaro Pina. São Paulo: Boitempo, 1998.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. Tradução Marcelo Backes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

______. A sagrada família. Tradução Marcelo Backes. São Paulo: Boitempo, 2003.

 

Filmografia

A Sociedade do Espetáculo (La Société du Spectacle, França, Simar Films, 1973). Direção: Guy Debord. Resumo/Tema: Documentário que ressalta o aspecto de espetacularização dos feitos, em qualquer sociedade, seja ela neoliberalista ou socialista.

 

  • Jornalista e Mestre em Filosofia Política (PUC-SP).

[1] DEBORD, 2006, p. 131.

[2] DEBORD, 2006, p. 153.

[3] MARX, 2008, p. 57.

[4] DEBORD, 2006, p. 766.

[5] DEBORD, 2006, p. 154.

[6] MARX, 2004, p. 108.

[7] MARX; ENGELS, 2007, p. 61.

[8] MARX; ENGELS, 2007, p. 157

[9] DEBORD, 2006, p. 126.

[10] Cf. prefácio de Vicente Kaufmann (DEBORD, 2006, p. 18).

[11] MARX; ENGELS, 2007, p. 99-106.

[12] DEBORD, 2006, p. 138-139.

[13] DEBORD, 2006, p. 154.

[14] DEBORD, 2006, p. 151.

[15] DEBORD, 2006, p. 149-52.

[16] DEBORD, 2006, p. 159.

[17] DEBORD, 2006, p. 162.

[18] DEBORD, 2006, p. 163.

[19] DEBORD, 2006, p. 164.

[20] MARX, 2004, p. 106.

[21] DEBORD, 2006, p. 1197.

[22] Guy Debord nasceu em Paris, no dia 28 de dezembro de 1931, e viveu até 30 de novembro de 1994, quando se suicidou. Em 1968, suas teses se tornaram célebres, mas foram perdendo influência nos anos de 1980 e 1990, períodos de refluxo revolucionários e de ascensão do neoliberalismo. Ao longo dos seus 63 anos de existência, desenvolveu um estilo próprio de pensar, refletir, compreender, sem jamais omitir as suas fontes de pensamento e inspiração. Seus escritos derivam fundamentalmente das obras de Karl Marx e da História e Consciência de Classe, de Georg Lukács, autor que, como Karl Korsch, analisou a noção de fetichismo da mercadoria em profundidade. Se Marx e o marxismo tradicional interpretaram ontologicamente o capitalismo a partir do trabalho, Debord pavimentou uma via de análise pela perspectiva do tempo.

[23] DEBORD, 2006, p. 1063-69.

A imagem como representação da vida